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VINHO SEM NÓDOA

Partilha despretenciosa, simplesmente erguida pelo entusiasmo

VINHO SEM NÓDOA

Partilha despretenciosa, simplesmente erguida pelo entusiasmo

Riesling a uva que cheira a petróleo

28.12.21 | manuel

Haverá poucos descritores aromáticos dos vinhos que geram tanta discórdia como o aroma a “petróleo” ou a “querosene”. É nos vinhos da casta Riesling onde se aplica geralmente esse descritor.

 

Riesling dmitry-zvolskiy.jpg

Creditos: dmitry-zvolskiy

Mas afinal, esse aroma a “querosene” /”petróleo” sente-se realmente? A resposta é sim!

O responsável é um composto aromático chamado - 1,1,6-Trimethyl-1,2-dihydronaphthalene-, TDN para abreviar. É o que pode dar o aroma semelhante ao querosene nos vinhos.  

É a grande quantidade de carotenoides nas uvas Riesling que levam a níveis mais altos de TDN no vinho final. E no processo de envelhecimento em garrafa, os vinhos de Riesling podem apresentar níveis até seis vezes mais do que outras variedades.

De longe, o fator mais estudado e aceite para o desenvolvimento de TDN é a exposição solar. Vários estudos científicos mostraram que concentrações mais elevadas de TDN e seus precursores são encontradas em vinhos feitos de uvas expostas ao sol.

Este aumento na concentração relacionada com a exposição ao sol, provavelmente, ocorre devido aos carotenóides ajudarem o tecido da uva a se proteger da luz ultravioleta.

Hoje em dia, o TDN é uma grande preocupação para os produtores de vinho na Alemanha, pois têm vivido verões mais quentes e secos. Alguns têm experimentado diferentes abordagens na operação de desfolha como forma de diminuir o risco de TDN, com o qual estão muito preocupados. Passaram a desfolhar por etapas, faseadamente. Deixam ficar algumas folhas externas como uma espécie de guarda-chuva, e retiram apenas as folhas internas, para criar fluxo de ar, mantendo alguma sombra.

As uvas expostas ao sol terão um acumulado de TDN mais rápido do que as uvas ensombradas.

Significa que o TDN pode ser usado como uma ferramenta para diferenciar se um determinado vinho Riesling foi feito com uvas de climas mais quentes ou mais frios.

Por exemplo, o Riesling australiano pode muitas vezes ter níveis mais altos de TDN mesmo em vinhos jovens. Tipicamente os níveis de TDN para Rieslings europeus seriam de 1-50 μg/l, mas o Riesling australiano pode ter níveis tão altos quanto 250 μg/l, e às vezes até mais altos.

A oxidação também pode ter um papel nesta questão. Em alguns casos, mostrou contribuir para um aumento na TDN. 

Também o pH é relevante, tendo ficado demonstrado que vinhos mais ácidos desenvolveram TDN mais rapidamente do que outros.

Noutro estudo, foi demonstrado que um conteúdo elevado de SO2 livre no vinho pode ter um certo efeito de encobrir a perceção do aroma de TDN.

Um estudo da AWRI - Australian Wine Research Institute - mostrou que os vedantes de cortiça e sintéticos absorviam mais de 50% do TDN presente num vinho com dois anos em garrafa. Verificou-se que os vinhos sob tampa de rosca (screwcap) não 'perderam' nenhum TDN.

É admitido que as concentrações de TDN aumentam com o tempo em garrafa, durante o envelhecimento. A temperatura de armazenamento é, assim, fator relevante. Identificou-se amostras de vinho armazenadas a 30°C apresentaram aumentos bem superiores em TDN do que os encontrados nas garrafas armazenadas a 15°C.

Além disso, foi estudada a influência da temperatura de serviço de vinho na identificação de notas de “querosene/gasolina”. Constatou-se que uma temperatura de serviço de vinho mais baixa (cerca de 11 °C) facilitava a perceção do aroma TDN em comparação com as mesmas amostras de vinho à temperatura ambiente. 

 

Fontes:

https://www.awri.com.au/wp-content/uploads/Sept-Oct-2012-AWRI-Report.pdf

Ask Sid: What is TDN in Riesling? - IWFS Blog

Petrol aroma in Riesling: what the TDN?! (wordonthegrapevine.co.uk)

Introducing TDN, a compound responsible for petrol aromas in Riesling and other white wines – wineanorak.com